terça-feira, janeiro 01, 2008

O TRUQUE DO OVO


Cristóvão Colombo era tido como uma farsa. Deve ser por isso que existem tantas dúvidas e controvérsias sobre suas viagens e conquistas. Era tido como o maior navegador de toda Espanha, mesmo que sua origem seja indefinida até hoje. Acreditam que era português. Falava latim e hebraico, além do castelhano e do português, e tinha conhecimentos em matemática, física e astrologia. Era tido como mentiroso e conspirador, pois vivia em conluio com outras nações, vendendo falsas informações da Coroa Espanhola e beneficiando quem bem entendesse, sendo ajudado pelo italiano Américo Vespúcio. Em um determinado banquete, já com sua fama estabelecida devido à conquista da América, sugeriu que todos os presentes tentassem colocar um ovo em pé. O questionamento ocorreu pois um convidado ciumento perguntou se ninguém conseguiria chegar à América se Colombo não tivesse chegado lá. Muito persuasivo, conseguiu a atenção de todos. O charlatão em ilusionismo amassou suavemente o lado bojudo do ovo e colocou-o em pé. Mas todos descobriram sua artimanha. “Qualquer um consegue desta forma!”, gritou um convidado mais exaltado. Sempre muito inteligente, ele respondeu : "Uma vez eu mostrei o caminho ao Novo Mundo, qualquer um poderia segui-lo. Mas alguém teve antes que ter a idéia. E alguém teve depois, que decidir-se a colocá-la em prática”. Apesar de sempre se sair muito bem de questionamentos, e tirar proveito de tudo, mal sabia ele que o “truque do ovo” é uma pratica oriental milenar. E não se tratava de um truque. No primeiro dia da primavera, conseguimos equilibrar um ovo, colocando-o em pé. Até mesmo Einstein duvidou dos orientais, dizendo ser aquilo um truque. Mas definitivamente não era. No equinócio da primavera, devido à posição da Terra em relação ao Sol, a força da gravidade é favorável ao equilíbrio. Não é por menos que o dia 23 de Setembro é o “Dia do Equilíbrio” no calendário chinês. Hoje, sabe-se que em qualquer dia é possível se equilibrar um ovo, porém, por um curto período de tempo e com certa dificuldade. Dia do Equilíbrio. O dia que contrariou um dos maiores gênios do mundo. O “truque” que quase envergonhou o ilusionista picareta que descobriu por acaso a América.

Roberto Mac Intyer Simões
01/01/2008

A ESTRELA-DO-MAR


Um garoto, que morava a beira-mar, ia à praia todos os dias ao nascer-do-sol e lançava uma “mãozada” de areia ao mar. Uma atitude muito estranha para todos que observavam a cena. O garoto não deixava sequer um raio de sol incidir no chão, e lá estava ele correndo por toda a enseada. Diziam que era deficiente mental. Mas o garoto era ágil, esperto. Inventaram que ele sofria de depressão. A mesma que separou seus pais. Mas na verdade, ele era um garoto inteligente, que sofria por não ter muito o que fazer naquela pacata vila de pescadores. Queria fugir dali, cursar faculdade e subir na vida. Tinha seus sonhos. Seu pai era pescador de família e sua mãe dona-de-casa por falta de opção. Ambos não sabiam ler nem escrever. Não havia escola na vila. Não conheciam a cidade grande. Poucas vezes tinham saído da pequena praia donde tiravam o sustento de gerações e gerações. Viviam na miséria, isolados do mundo. Mas não reclamavam. Havia a fartura de peixes que Deus lhes dera. E sabiam que em breve conseguiriam tudo que sonhavam. A fé os permitia viver ali. Mas o menino não queria ser pescador, o que irritava seu pobre pai. Somente sabia correr pela praia e sonhar. Convenhamos que muito mais alto e com mais fé que seu pai. E o fato se repetia, sempre que o garoto tinha disposição, pois tempo não lhe faltava. Até que um dia um velho curioso que morava nas redondezas e observava sua a rotina matinal o indagou, querendo saber porque todos os dias ele tinha o hábito de correr por toda a enseada. O garoto respondeu que salvava as estrelas-do-mar. Com o movimento das ondas e a ação das marés, as estrelas ficavam presas areia e com o tempo ali morriam por desidratação. Ele as retirava antes que elas morressem com o sol forte do verão, dando a elas novamente a vida. O velho ficou pasmo. Com tantas praias e estrelas-do-mar por este mundo afora, que diferença faria o garoto? Chegou a pensar que ele era realmente retardado. O que representa uma estrela-do-mar na vida deles? Infelizmente, o velho homem não percebeu que pequenos atos podem salvar vidas. Que podemos fazer a nossa parte. E que gestos simples nos tornam importantes para alguém e para si mesmos. Ele nunca tinha ajudado o próximo. Diziam que tinha problemas com a bebida. Era rejeitado pela comunidade. Mas não tinha culpa de sua ignorância. Afinal, a vida o tinha moldado daquela forma. Bruta, sem nenhuma lapidação. Ignorante por opção.

Roberto Mac Intyer Simões
31/12/2007

segunda-feira, dezembro 31, 2007

O BROWNIE


Era natal. Jantar em família, para manter a tradição da festividade. Poucos, mas bons parentes à mesa, saboreando comidas “engordativas” e bebericando com moderação. A felicidade pairava no ar, trazendo momentos de paz e harmonia, como se o espírito das mensagens dos cartões de natal tomassem vida em todos os lares. Há quem não goste do natal. Quem ache que é puro capitalismo. Quem ache que tudo é uma farsa. Quem ache que perdeu o real sentido. Mas o certo é que o espírito natalino adentrou nos corações de todos aquela mesa. Felicidade, amor, saúde, prosperidade, paz. E sem frescura, porém com muita, mas muita serenidade, com todos muito à vontade, o tempo foi passando. E a conversa e risadas foram se estendendo, como não poderia deixar de ser. Lá pelas tantas, minha mãe, uma cozinheira de mão cheia, começou a conversas com minha tia avó, a boleira da família, sobre as receitas que tinha feito naquela ocasião. Convenhamos, era um papo de surdo e mudo. Desculpem a gozação, mas era exatamente isto. Minha tia avó é um pouco surda e seu aparelho de audição estava com um pequeno defeito. Um “prato cheio” para quem gosta de tirar sarro. Eis que minha mãe comenta que aprendeu a fazer brownies, aqueles bolinhos de chocolate comumente deliciados nos EUA. Bom, na verdade, Brownie é um duende de pele amarronzada, típico do folclore inglês, que faz serviços domésticos em troca de comida, mas esta é uma outra historia. Voltando, eis minha tia avó vira e diz: “Bráulio? O que é bráulio mesmo? Acho que eu nunca comi bráulio!”. Alguns coraram o rosto. Mas a maioria não agüentou e soltou uma longa e alta risada. Não tinha como segurar. O menino Jesus que me perdoe, mas foi hilário! Sem entender, ela continuava a perguntar o que era o tal do “bráulio”. E minha mãe, numa tentativa frustrada de explicar, não se conteve e caiu na risada. “O que é bráulio mesmo?”. Todos riam muito. Eu só ouvia meu pai dizendo “Pára tia, o que é isso! Você não se lembra?”. Que diversão! Gozação à parte, este é o verdadeiro espírito de natal. Família e risada. A perfeita combinação!

Roberto Mac Intyer Simões
31/12/2007

domingo, dezembro 30, 2007

VIVENDO DO PASSADO



Ao final, sentiram pena do coitado. A “sentença” foi cruel demais para o pobre rapaz. Apesar do ódio, e da brutalidade de seus atos, percebia-se o arrependimento em seu coração e a insônia que o consumia dia após dia. Afinal, o crime foi no fundo um ato de subsistência. Sim, a motivação era viver. Sem avareza, lascívia. Mas com dignidade. Porém o tiro saiu pela culatra. Ele queria esquecer, mas suas lembranças, vindas em forma de pesadelos, não o deixavam em paz. Ele não tinha mais vida. Tornou-se uma pessoa perturbada. Uma pessoa consumida pela sua própria mente insana. Peritos recomendaram tratamento psiquiátrico, pois a prisão não o livraria de si mesmo. Mas não deram ouvidos. E o julgamento se estendeu, por dias, meses e anos. Ninguém se importava com ele. Autoridades negligentes e hipócritas não chegavam a um veredicto. Vieram recursos e mais recursos, e o processo não se finalizava. O coitado não merecia isso. Seus parentes o abandonaram. E não foi por menos. Ele havia se tornado um mau caráter sem escrúpulos. Estava estampado na manchete do jornal! Abandonado em uma cela, mergulhado em seu passado, sem chance de recomeçar sua vida, ele foi provando pequenas doses do inferno na cadeia. O coitado merecia isso? Depois do crime que ele cometeu, lógico que merecia! Merecia até coisa pior, disse um sujeito na televisão. Mas poucos perceberam que a mais cruel e desgostosa sentença estava em sua própria mente já sem brilho, ofuscada em um passado sombrio. A motivação de viver se foi. Da mesma forma que se esvai da mente de todos que perdem o brilho, sejam estes criminosos ou não. O fundamental é não perder o brilho, independente de nossos tenebrosos passados. E viver cada dia como se fosse o último, mesmo que a masmorra não nos aguarde.

Roberto Mac Intyer Simões
30/12/2007

segunda-feira, setembro 17, 2007

VISITA DO PAPA

O Papa Ratzinger “Bento 16”
Desceu no Brasil finalmente!
Andou em seu “Papamóvel”
E conheceu as belezas do país
Porém, não visitou nenhuma favela
Não sentiu na pele o que é ser brasileiro
E rezar todo dia por dias melhores...
Rezar por um Deus que não ouve
Um Deus que parece se esquecer
Da Pátria amada idolatrada
(Brasil)
...
Vemos o Papa todos os dias
Qualquer movimento no Monastério,
Qualquer aceno é flagrado.
Repórteres não perdem nada,
Nem ao menos um piscar de olhos!
O Papa pedófilo acenou da janela
E parou para fazer um “papá”
A multidão de católicos gritou:
“-Á á á á á á á á!!! O Papa fez papá!”
O Papa “Made In Paraguay” disse:
“-Buenas Notches Brazil!”
E a multidão uníssona gritou:
Ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê ê!!!
E de repente,
Não mais que de repente...
O Papa fez pipi da janela!
E a multidão sem entender gritou:
“-Î î î î î î î î î!!! O Papa fez pipi!!!”
Para piorar a situação,
O Papa insano fez popô da janela
E a multidão gritou:
“-Ó ó ó ó ó ó!!! O Papa fez popô!”
Deus do céu, mais que vexame!
PÁ PA PUPA PI PAPIU PAPA!!!
Não me perguntem o que ocorreu
Depois dessa tragédia televisiva!
Não vale a pena terminar
Esta grande odisséia papal!
Então, meus caros,
Assim foi a ilustre visita do Papa:
Um verdadeiro carnaval
No país da palhaçada!

sábado, setembro 15, 2007

NOSSO AMOR, NOSSA VIDA!

Seu amor, nosso amor
Nossa fé, nossa crença
Nossa oração de cada dia
Nossa cura!
Como uma tempestade
Você devastou meu coração
Revirou nossas vidas
Nos acordou de um pesadelo.
Eis a sensação do amor:
Um barco à deriva
Jogado na imensidão do mar
Sem rumo, sem vela...
Sem medo do destino
Engolindo nossas vidas
Nos levando ao infinito...
Eis o amor!
O único sentimento que resiste
Ao tempo do ontem, do agora,
Do cedo ou tarde, do amanhã.
Tudo aquilo que nos pode ser tirado
Não vale a pena ser guardado
Nem comparado ao nosso amor
De hoje, de sempre!
Ah, o amor...
Nos remete a momentos a dois
A lembranças e descobertas
Como o despertar de um sonho bom
De que estranhamente não vamos acordar.
Na nossa trilha sonora,
Uma musica inesquecível.
Na nossa mente entorpecida,
Aquele perfume indefectível.
Nossa melodia, nosso odor...
Eis a aparência do amor!
Meu porto seguro
Minha metade, nosso inteiro.
A fusão de corpos, mentes
Uma alma divida, sendo invadida
Por seus olhos enamorados aos meus
Os olhos do amor que tudo vê
O amor que nos faz feliz!
Ah, o nosso amor...
Poderia escrever versos tristes
Sobre o amor poético, derradeiro
Sobre o veneno do amor maldito.
Mas seu riso é minha alegria
Nossa emoção, minha poesia.
Portanto, como eu poderia
Escrever com tristeza sobre o amor?
Entoemos por fim o cântico do amor
O amor alegre, esperançoso
Que nos dá vida
Que nos é vida!
Vida bem vivida
Sempre bem-vinda
Vivida todos os dias
Vida vivida de amor!

Roberto Mac Intyer Simões
15/09/2007

sábado, novembro 04, 2006

LUZ DO SEU AMOR




Minha alegria se completa com a luz da manhã
essa luz que emerge dos seus olhos
e reflete em minha íris,
a satisfação do dia que nasce pelo amor


Ao deleitar inebriadamente apaixonada,
ao tornar-me frágil e segura em seus braços,
ao confundir nossa pele
e buscar no silêncio mais profundo o pulsar do seu coração


Peço que o tempo pare e contemple todos os detalhes
retrate cuidadosamente a direção do osso olhar
meça meus desejos,
e confirme a intensidade do nosso amor


Quero buscar somente minha paz que habita no seu peito
deixar que toque em sua própria vida
esta que fez morada em meu corpo
e, que produz alicerce a elevar me ao seu amor...


Quero que a noite não esvaeça a luz que irradia meu íntimo,
e nem leve o sorriso que me farta de prazer;
mas traga a delicadeza das mão repletas de carícias
que me acalmam e dizem graciosamente ser dono de mim.


escrita pela poetisa Maria Fernanda Pelarin

quinta-feira, novembro 02, 2006

O VÔO DO VIAJANTE

Estou livre para voar, mas não tenho asas
Estando longe daqui, fico solitário
Você é a minha asa, o que me faz voar
O que me faz viajar acordado todo dia.

Mas sem você nada me vale a pena
O dia fica triste, sem melodia, sem cor
Sem gosto, sem cheiro, sem graça...
Sem você... Tudo está perdido sem você!

A resistência do desespero e da solidão
É a garantia de um dia te tocar, te beijar,
Ser beijado até a alma se sentir beijada,
Satisfeita de te ter como alma gêmea.

O toque manso de suas delicadas mãos,
Seu corpo junto ao meu como um só corpo
Perco o sentido e me vejo em outro mundo
A lua não tem cara, e não acho minha casa.

Suas mãos procurando as minhas
Seus lábios trêmulos a esperar um beijo
Sua pele toda arrepiada por carícias
Me fazendo sentir-se o dono do mundo.

Não te ausentes de mim, meu amor!
A paz em teus olhos fixos aos meus
O sofrimento em não vê-los ao acordar
A agonia em não saber onde andas.

Lembre-se somente dos bons momentos
Estes dos quais nos motivam a viver
A continuar seguindo em frente
Esperando somente um reencontro...

quinta-feira, outubro 12, 2006

UM OLHAR

Um olhar, um simples olhar.
Avassalador, mas sincero,
Tímido, mas cativante...
Um olhar!
O tempo parou por alguns instantes
Não havia luz, som, movimento,
Cheiro, gosto, nem cor...
Somente um olhar
Inerte
Fixo
Mútuo
Apaixonado
O relato do encontro de dois corpos
O reencontro de duas almas gêmeas
Nosso intimo sendo invadido...
Um olhar!
Uma invasão de amor
Que me conquistou ferozmente
Sem pedir licença
Sem saber meu nome
Sem sentir minha pele
Só um olhar
Te coroou minha princesa
Me trouxe felicidade, amor
Um amor tranqüilo, delicado
Amor que se dá, que se recebe
Para a vida toda se amar!
Sem você tudo é triste
Sou somente desamor
Um barco sem rumo
Campo sem flor
Jardim sem luar...
Sem você não tem mais eu!
Podem até tentar ofuscar nosso brilho,
Mas nossa alma ninguém vai separar!
Pois um grande amor...
Ah, um grande amor não é de se rasgar!
O doce prazer da eternidade
Nos aventurando estrada a fora
O amor nos guiando rumo ao horizonte
Brilhemos juntos ao pôr do sol
Sem medo do que há por vir
Pois cada segundo desperdiçado
É um carinho abafado
Um beijo amordaçado
Um abraço atado
Um olhar sem se olhar...
Um amor sem se dar!

domingo, julho 23, 2006

BEM DEVAGAR

Bem devagar
De mansinho, sem assustar...
Nosso amor chegou sem avisar!
O coração vilipendiado,
Cansado de viver,
Encheu-se novamente no peito
Agora por uma causa nobre
Desesperado
Ritmicamente
Deixando fluir em todo corpo
O calor da nova paixão
Que queima a alma
Bem devagar
Deixe que minha mão adentre
Neste universo misterioso
No íntimo da alma!
Sem medo nem pudor
Navego pelo seu corpo nu
Acaricio-te os peitos
Formosos
Lentamente
E me entrego ao prazer
Enviado pelos deuses
Que te esculpiram o corpo
Bem devagar
O sentimento foi crescendo
Da chama criou-se o amor
Do choro fez-se o riso intenso
A felicidade voltou para mim
Sem suspeitar que a saudade viria
Para nos lembrar de lembranças
Saudosas
Eternamente
Guardadas na memória
De quem vive um grande amor
Sincero, que me inunda a alma
Bem devagar...