
Nunca gostei de escola. Não porque eu era burro, nem porque não tinha amizades. Não era o mais inteligente, mas estava entre os mais brilhantes. Não era o mais popular, mas era um ótimo amigo. Sabia preservar uma amizade. Sem picuinhas, preconceitos ou “ti-ti-ti”. Meus amigos sempre foram os mais fracos, os negros, os japoneses, os gordos, e por aí vai. Mas apesar dos amigos, eu não gostava da escola. Gostava somente das aulas de educação artística. Não pelos professores, mas pelo o que eu desenvolvia nas aulas. De literatura, sempre gostei, mas as aulas... Aff! Sempre os mesmos versos todos os anos. Redondilha menor, versos alexandrinos, elegia, realismo, neoclassicismo, parnasianismo... Camões, Pessoa, Rosa e Andrade sem nenhum sentimento. É uma pena, totalmente desestimulante! Na tal da matemática eu sempre fui bem, mas odiava decorar a tabuada. Que idiotice! Eu sempre fui revoltado com o sistema de ensino. Não queria aprender aquilo que me jogavam "guela" abaixo. Demorei, mas aprendi que a maior escola que temos é a nossa própria vida. Nossos tropeços, desilusões amorosas, demissões, perdas, fracassos. Os nossos sofrimentos nos fazem pessoas melhores. Será? Só sei que se não tivesse passado por tudo que passei na vida, eu poderia ser uma mente muito mais brilhante, um típico “nerd” se quisesse, mas com certeza não seria tão iluminado quanto sou agora. Pois não se ensina na escola a sermos pessoas de caráter, mais humanas, honestas, gentis, caridosas. E não deveria mesmo. O problema é que não se aprende mais essas coisas dentro de casa. Então, para que serve a escola, se não temos a devida “educação”? Para mim, servirá de enfeite na parede. Pois com meu diploma, serei um engenheiro de respeito. Independente do que a vida tenha me ensinado. O meu status falará por mim mesmo. Eba!










