quarta-feira, dezembro 02, 2009

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NUNCA SE ESQUECE...

Fui ao supermercado e comprei cotonetes. Sim, aqueles assustadores bastões com algodão na ponta. Pela primeira vez em 26 anos eu limpei o meu próprio ouvido (tô virando adulto! rs). O motivo pelo qual eu nunca tinha limpado meu ouvido antes? Simples: tenho pavor de fazer isto sozinho! Por outro lado, sempre tive minha mãe, e ultimamente a Fernanda, para fazer isto por mim. Mesmo assim, na hora da limpeza, eu me retorcia inteiro, esperneava, chorava, chegava a arder a garganta de tanta dor. Não sou fresco, porem, creio que eu tenha uma sensibilidade imensa na região do ouvido. Pois então lá fui eu desbravar o desconhecido! Me senti como uma mulher em sua primeira vez fazendo amor. Aquele desconforto, uma dor intensa latejante... Horripilante! Tentava continuar, mas meu cérebro dizia para eu parar! Acho que é a sensação de estar sozinho que me fazia continuar, já que minha irmã mudou-se de Campinas. Não que ela limpasse meu ouvido, mas o isolamento para com pessoas íntimas nos faz sermos mais auto-suficientes e independentes. Mera psicologia comportamental! E minha odisséia continuava. Eu desbravava ferozmente uma "mata" remelenta com um bastão de plástico com tuchos de algodão. Parecia até piada! Mas eu estava mandando bem. No final, eu até estava pegando o jeito! A dor tinha amenizado e no lugar do desconforto, apareceu uma sensação gostosa de prazer. Nada sexual. Prazer de limpeza, idêntico ao que sentimos quando saímos do banho. E assim foi a minha primeira vez! Coincidência ou não, terminei limpando todo o sangue que saía... É, o bebê está saindo das próprias fraldas e está entrando na puberdade!

sexta-feira, outubro 16, 2009

A VIDA

A vida suga todo seu sumo. Te espreme, tirando de ti todas as coisas boas e ruins que tens a oferecer. Ela deseja toda sua energia, quer ver suas emoções borbulharem. Faminta de momentos inesquecíveis de êxtase, conquistas, paixões, dor, isônia, desilusões, tudo misturado, a vida te persegue na panela dos nossos dias, este imenso caldeirão de sentimentos. Daí, em certo ponto, ela te diz: "Não dá mais prá seguir assim! Você tem que evoluir, sair desta utopia que você criou. Não percebe que sua vida está intragável?". Um nó na barriga, ansiedade, indecisão, medo. A vida nos joga em meio à tempestade, sem proteção nenhuma. Nos encontramos em meio a relâmpagos, trovões, granizo. A morte parece certa. Mas enfrentamos, seguimos em frente. E passado o temporal, nos encontramos novamente na bonança dos dias ensolarados e de mar calmo, bem sereno. Alguns demoram mais, outros menos, mas no fim, todos vencemos! Aquela vida que você vivia? Relaxe, a tempestade levou para longe, junto ao mar revolto. A tormenta às vezes volta, no enjôo do balanço incessante do mar. Mas a calmaria reina sossegada novamente. Sem ao menos esperamos, breve ou não, a vida insiste em trazer novas tormentas, como se o princípio da vida fosse sempre o mesmo. "Tudo nasce, cresce e morre". A natureza da vida é cruel, mas sensata. Inevitavelmente, os dias passam devagar, saiba você contá-los ou não. Talvez seja melhor nem contá-los. A desordem passa rápido. E este é o grande milagre da vida: a renovação! Nos resta somente levarmos os bons momentos, e seguir em frente...

Roberto Mac Intyer Simões

sexta-feira, outubro 09, 2009

ORDEM UNIVERSAL DO VÁCUO ETERNO

Aqui não existe Jesus, Alá, Maomé, Adonai... Tbém não temos o Diabo, lógico... Muito menos existe Judas, para caguetar alguém!!!

Aqui não existem santos... Mesmo assim, os agradecemos pelos feriados "santos"!

Aqui não existe bíblia, alcorão, torá... Portanto, não temos missas, cultos, nem igrejas, mesquitas, seitas ou sociedades secretas.

Aqui não existe o paraíso, nem o inferno... O purgatório e o julgamento final são mera diversão dos católicos!

Aqui não existem dogmas... Santíssima Trindade, Imaculada Conceição, batismo, crisma, comunhão, eucaristia... Nada disso!

Aqui não existe vida eterna, reencarnação, ressureição, Terra Prometida.... Não adianta chorar!

Aqui não existe papa (e sua primazia), cardeal, bispo, frei, presbitero, diácono, padre, pastor.

Aqui não existe dízimo (Tostão de Pedro), zakat (contribuição de purificação)... Não queremos enriquecer com o dinheiro alheio!

Aqui não existe castidade... Nem heresia!

Aqui não existe 10 Mandamentos.

Aqui não existe pecado, confissão, penitência.

Aqui não existe quaresma, ramadã.

Aqui não existem imagens, terços, bençãos, unções.

Aqui não existe meditação, oração, cânticos, mantras.

Aqui não existe não existe sincretismo religioso.

Aqui não existem profecias.

Aqui não existe transformação de água em vinho, multiplicação de pães, purificação de alma, cura de cegueira, surdez, paralisia, lepra e ninguém anda sobre as águas.

Aqui não existe Inquisição, Cruzadas, Simonia, Hajj.

Aqui não existe venda de indulgências... Aqui se faz, aqui se paga!

Aqui não existe encosto, mal-olhado, "trabalhos", mandinga, mioma, Noite do Descarrego... Mas não podemos te garantir um "corpo fechado".

Aqui nao existe alma.

Aqui não existe fé!

Não proibimos o uso de métodos contraceptivos e somos a favor do aborto (em alguns casos) e da pesquisa com células-tronco.

Aqui, além das "coisas terrenas", só existe o vácuo... O nada, o vazio!

Aqui, existe a ciencia, os grandes pensadores e suas teorias!

Estudamos diversas teorias, das mais variadas... "Big Bang", Supercordas, Relatividade, Quantica, do Caos, Construtivismo, e teorias da Abiogenese e da Filogenia.

Somos somente um bando de "nerds", tentando desvendar os maiores mistérios do universo.

Será que alguém topa entrar para esta ordem?

Contato aqui pelo blog!

PS: aceitamos "Hippies sujos" como membros! rs


Roberto M I Simões

segunda-feira, setembro 21, 2009

O PADRÃO

Somos uma legião de pessoas padronizadas, julgadas todos os dias em relação à raça, estética, comportamento, credo, moda. O que está fora do padrão não serve, ou nos dá vergonha. Você é negro? Seu “preto” fedido! Ladrão, vagabundo! Você é gordo? É um perdedor! Luta com a balança, mas só pensa em rosquinhas! Você tem tique nervoso, manias? Seu esquisito! Nerd! Com certeza, você tem TOC! É evangélico? Falso santo! Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço! Se veste mal? Brega! Jeca! Tem cabelo crespo? Passa uma chapinha ae, poxa!

Não existe salvação! A sociedade é intolerante. Escracha e afasta inescrupulosamente quem não se enquadra no perfil da normalidade. O engraçado é que esta é uma sociedade que não consegue enxergar o próprio umbigo. O velho provérbio do “roto falando do mal-lavado”. E assim caminhamos. Nos querem todos iguais. Sem defeitos, fraquezas. O caráter não importa. Somos o que aparentamos ser. Cada um com seu estilo próprio, mas não deixando de refletir no que os outros vão pensar. Assim, o sentimento de rejeição toma proporções indevidas. E acabamos sendo pessoas diferentes do que somos por dentro.

A maioria das pessoas quer se parecer com as pessoas famosas, que aparecem em filmes e na novela das oito. Ou então vão na onda dos modismos, para estar sempre nas “rodinhas” que desejar. Uma hora você é caubói, logo depois já vira “emo”. Porém, continua a chorar desafinado pelos cantos da sua casa. Você pode começar a jogar de RPG, pode entrar no motoclube da cidade. Mas quando menos percebe, você começa a andar cheio de pentagramas, todo de preto, bebendo até amanhecer, passeando nos cemitérios e outros lugares bizarros. Sem querer, um dia conhece o samba, e vê que tem coisa melhor do que só pensar na morte e no diabo. Logo aprende, com muita persistência, a fazer malabares nas festas “rave”, porque é “manero”, mas logo em seguida vê que é uma estupidez imitar gente pedindo esmola no sinal. Ou pior, começa a fazer piercings e tatuagens, estragando seu corpo. Quantas coisas você já fez para estar na moda, ou para entrar em determinados grupos?

Quantas pessoas fumaram maconha uma vez na vida, só para mostrar que são descoladas? E a velha estratégia de pedir um cigarro para a gostosa fumante que está ali no canto sozinha esperando por carinho, sendo que você odeia cigarro? Quantas pessoas passam a se conhecer tão somente por uma camiseta de uma banda alternativa? Quantos muçulmanos se cruzam e viram irmãos do nada? No Brasil, lógico, no Oriente Médio isso seria difícil... Enfim, quantos elementos socializantes existem para nos agruparmos? Finalmente pergunto, qual foi a ultima vez que você fez algo por vontade própria, por prazer, sem pensar no que os outros vão pensar?

Assim é a sociedade, feita de pessoas presas a estereótipos e modismos, eternos falazes de suas próprias mentes. Prefiro ser como sou. Não me enquadro em quase nenhum grupo ou “roda”. Não compro quase nada que está na moda. Não engulo muita coisa, como política, televisão, futebol, religião. Mas me dou bem e sou feliz com todos estes “Robertos” que existem dentro de mim. Está na hora de fugirmos dos padrões e sermos mais autênticos!

terça-feira, setembro 01, 2009

quinta-feira, agosto 13, 2009

PENIS ENLARGEMENT

Será que meu "pipi" é pequeno? Infelizmente, vou ter que começar a reparar no bilau das pessoas quando for usar um banheiro público. Manja aqueles latões fedorentos que espiram xixi para todos os lados? É, vou ter que usá-los. Que coisa linda! Bom, o fato é que recebo muitos e-mails falando sobre aumento e alargamento de pênis e problemas de ereção. Como descobriram que tenho problemas com isso? Ou será que todo mundo recebe essas merdas? Achei que essa mania havia acabado há tempos. De qualquer forma, vou ter que espiar o "dos outros" no latão, logicamente, escondendo o meu, pois nunca se sabe né?

Ainda bem que estes e-mails não vem em forma de corrente. Imagine só: "Repasse este e-mail para 15 pessoas que seu bilau se tornará um popstar. Se você não repassar este e-mail, seu pinto vai diminuir ainda mais, e você nunca mais vai usá-lo por prazer. Se conseguir tal proeza, com certeza sua transa irá por água abaixo, pois sua parceira rirá muito de você". Credo! Que pesadelo!

Vai ver que é isso, o assunto é tão preocupante para muitas pessoas, que se torna um pesadelo. Desde a antiguidade acredita-se que os homens mais "dotados" tem maior força e resistência, sendo assim melhores reprodutores e mais atrativos para as fêmeas, conquistando assim as melhores do grupo. Algumas tribos indígenas tinham o costume de aplicar veneno de cobra nos órgãos genitais objetivando aumentar o pênis. A dor chegava a perdurar durante seis meses. Será que a cobra picava a "cobra", ou eles aplicavam de outra forma? É de se pensar!

Mas será que tamanho realmente é documento? Ou temos que saber usar para fazer direito? Eu não me importo com tamanho. Se o "meu" é grande ou pequeno, eu nem sei. Nem quero saber. Ninguém nunca reclamou! Mas vai que eu realmente precise de um desses apetrechos milagrosos. Complicado né? O pior é descobrir que o artefato nada mais é que uma casinha de marimbondos. Aê fudeu!

É melhor deletar esses e-mails cretinos e desencanar do assunto. Estou satisfeito do jeito que sou. As mulheres podem até querer por silicone no peito, bunda, coxa, etc, aplicar botox e tudo mais. Mas aumentar o pênis? Ah, vai se danar! Ainda se eu molhasse as calças quando urinasse, até vai né!

quinta-feira, agosto 06, 2009

A PONTE MAIS COMPRIDA DO MUNDO, por Abraão Vinhas

Transcorria o ano de 1981 e o mês era abril.

Eu havia combinado com o senhor Mário Corbucci de ir trabalhar o gado e fazer um balanço em sua fazenda, a Dois Córregos, no município de Selvíria, Mato Grosso do Sul. Combinei também levar cinco animais petiços que pertenciam a meus netos e que eu cuidava. Os animais estavam no sítio Dois Irmãos de propriedade de meu genro Olívio Voltolini, em Sud Menuci.

Na minha passagem por Pereira Barreto encontrei um caminhoneiro conhecido que estava transportando gado de Mato Grosso. Para evitar problemas na fronteira dos estados fiz um acerto com ele:

- Depois de amanhã estarei te esperando às 10 horas na boca da ponte da usina hidrelétrica.

Ele concordou e posei aquela noite em Bela Floresta e na noite seguinte, posei na Fazenda Caçula que faz divisa com Ilha Solteira. Ao amanhecer, do dia fui procurar a ponte onde cheguei as oito e meia. Procurei um barranco para o caminhão encostar, desencilhei o animal em que estava montado, ensaquei o arreio e fiquei esperando pelo caminhoneiro. Os animais ficaram pastando por ali e eu cuidando. As horas foram passando dez, meio dia, duas da tarde, quatro, sete da noite e nada do caminhoneiro, e eu só com o café da manha.

Durante a noite fiquei marcando no relógio 40 minutos, uma hora e não passava nada na ponte. Encilhei o cavalo Baguari, o que não era petiço, montei, joguei os outros quatro na ponte e meti-lhes arreador, fui a galopito. Quando fui passando pelo primeiro guarda ele estava bem sonolento e só levantou a cabeça mas não disse nada. Eu apurando cada vez mais os petiços.

O segundo guarda ouviu o tropel dos animais e saiu da guarita. Enquanto passava ele gritou:

- Ô velho, para onde tu vais?

- Vou pro leste! – respondi, cada vez mais apertando os petiços e pensando: meu Deus, que ponte comprida.

Quando sai em território mato-grossense tive muita sorte e não encontrei nenhuma condução. Joguei os petiços no costado da cerca à esquerda, abri o aramado e entrei na fazenda da Unesp e fui sair em Selvíria para não passar no posto aduaneiro. Peguei a estrada boiadeira e dois quilômetros depois desencilhei o Baguari, armei a rede na cerca do corredor e esperei o dia clarear.

Para mim foi a ponte mais comprida do mundo.


Do Livro “Memórias de um Boiadeiro”, de Abraão Vinhas

sexta-feira, julho 24, 2009

MUDANÇAS...


Minha graduação acabou... E já estou me mudando novamente... Menos de um mês na casa dos meus pais e já vou-me embora... Vou pra Campinas, tentar a sorte na cidade da água mais duvidosa do país... Farei mestrado na UNICAMP... Creio que vou "crescer" mais do que nos longos anos que fiquei isolado na "ilha", sem contato nenhum com grandes empresas, pessoas influentes, oportunidades, etc...

Sentirei saudades das pessoas que ficaram, dos que foram para longe... Sentirei falta da cidade de Ilha Solteira... Aquele buraco, no meio do nada, super quente... Sentirei falta da hidrelétrica, do porto, das praias, dos ranchos, das festas de república e do DA, dos churras e das bebedeiras intermináveis, da sinuca da Atlética, do gengibroso do Pinheirinho, das risadas e palhaçadas, da sala 24 horas e da inesquecível biblioteca... Tudo isso não me sai da memória! Bons tempos que não voltam mais... E não é que passou voando? Sinal que tudo foi muito bom!

Espero que tudo corra bem daqui pra frente! Vida nova!


Sobre o vídeo abaixo, sempre gostei de Paulo Vanzolini (mesmo sem saber qm ele era), desde pequeno ouvia suas músicas cantadas pela família nas reuniões na chácara do Vô Dido... Mas esta canção me comoveu desde a primeira vez q eu ouvi, na voz de Eduardo Gudin...

O vídeo abaixo é de péssima qualidade, mas é o único que achei desta música, que não é muito conhecida... Mas é ótima!

segunda-feira, julho 13, 2009

A INOCÊNCIA DAS CRIANÇAS

Um dos meus últimos dias em ilha... No nervosismo de esperar a divulgação das notas, meus amigos Feio e Frutal me chamaram pra tomar uma cerva no boteco da praça em frente à faculdade...
Eu tava na ressaca do dia anterior e sem clima para beber... Pedi uma cotuba, bem gelada...
Eis que uma garotinha de uns 5 ou 6 anos, que estava deitada sobre o freezer de cerveja, vira e me pergunta: "Tio, você não gosta de cerveja?"
Sem pensar, respondo: "Não bebo, o gosto é ruim. Cerveja faz mal!"
É, as crianças são assim... Como diz o grande Gonzaguinha, "eu fico com a pureza da resposta das crianças"...
E essa foi uma das últimas histórias em ilha solteira...

quarta-feira, junho 17, 2009

SOBRE A ESCOLA DE ENGENHARIA...

"É na Escola de Engenharia que começa a ser destruída a nossa auto-estima. É na Escola de Engenharia que começa a ser forjado o nosso comportamento autodestrutivo, nosso desprezo pelos valores da própria profissão, nosso desgosto com a nossa própria atividade profissional. É na Escola de Engenharia que nasce a nossa falta de coragem empresarial e essa submissão inaceitável aos caprichos dos clientes"...

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Ênio Padilha, autor do artigo, é engenheiro eletricista formado pela UFSC (1986) e Mestre em Administração pela UNIVALI (2007).