quarta-feira, abril 29, 2009

ILHA SOLTEIRA


É assim que me sinto hj em Ilha Solteira...
Um peixe fora d´agua...
Sem amigos, ou quase... A falta é a mesma...
A faculdade cada vez mais estranha... Me incomoda cada dia mais a "cabeça fechada" da maioria dos professores, a imaturidade dos alunos... Sinto que estou em outro nível... Sem querer me achar, mas é isso e ponto!
Ainda bem que meus tempos por aki estão se esgotando... Ainda bem!
Daqui, só irei levar as grandes amizades, algumas várias boas lembranças, e meu eterno amor...

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder seguir,
e é preciso a chuva para florir.

Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
de estrada eu sou
Conhecer as manhas e as manhãs,
(...)
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
conhecer a marcha, ir tocando em frente
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz...


Ando Devagar, de Almir Sater e Renato Teixeira

sexta-feira, abril 24, 2009

SE CONSELHO FOSSE BOM...

Neste último feriado fui comprar um cano extensor para o chuveiro, pois o velho quebrou, e aproveitei para comprar mais algumas coisas para a casa de meus pais... Fui na loja que tem na esquina da Rua 2 com a Bandeirantes, perto de casa... Para a minha surpresa, o cano de 15 cm de alumínio custava 6 reais, enquanto que o de latão custava 35... O porque da diferença? O encanamento de alumínio dura no máximo 2 anos e o de latão dura a vida inteira, se bem utilizado... No Brasil as coisas são assim... Pesquisando na internet, descobri que o quilo do alumínio custa 8 reais e do latão 9... Ou você compra o mais durável, e deixa a carteira na loja, ou você compra um equipamento fajuto (mesmo sendo de alumínio) e volta lá na loja daqui a 1 ou 2 anos... Sacou?
Mas o que me impressionou não foi isso... Conversa vai, conversa vem, eu disse que fazia faculdade em Ilha Solteira... O vendedor, muito atencioso por sinal, começou a reclamar do povo de Araraquara... Que são arrogantes, mesquinhos, "comem frango e arrotam peru"... Disse que ninguém vai à loja e diz um por favor, um muito obrigado... Não me lembro bem, mas não creio que eu tenha sido um exemplo de gentileza com o moço... Mas sempre tive boa educação, reflexo de meus pais... O vendedor continuou dizendo que queria sair de Araraquara, pois lá não tinha condições de continuar seu negócio... Os preços dele eram bons, mas mesmo assim sempre reclamavam que era tudo caro... Os produtos eram de qualidade, mas sempre questionavam... Não entendi o porque da revolta, visto que o moço sempre me tratou muito bem, sendo muito educado a toda hora, pronto para bem atender os clientes... Virei para o vendedor e disse: "Não adianta, a felicidade está dentro de você"... Pela sua expressão, acho que ele ficou sem entender... Mas se conselho fosse bom... Podemos morar no Oriente Médio, em meio a guerras religiosas, no meio do deserto do Saara, ou num país de primeiro mundo, com IDH elevadíssimo... Se quisermos ser infelizes, seremos... Independente do lugar, raça, credo, condição social... A felicidade é uma condição que ultrapassa qualquer tipo de barreira... Vemos gente rica morrendo de depressão e gente pobre fazendo festa na laje do barraco, em meio à tiroteios... Temos muito o que reclamar, mas não adianta reclamar por qualquer coisa... E o pior, sermos infelizes sem razão de ser... É por isso que eu amo essa nação chamada Brasil, e vou lutar para melhorar esse país até morrer... Se conselho fosse bom...




Aproveitando, posto aki um vídeo roubado do blog do Astriba... Algum cidadão brasileiro faz alguma coisa para mudar essa situação vergonhosa da política? Realmente, é mais fácil reclamar da arrogância do povo... Parabéns a todos nós pela santa estupidez!

domingo, março 29, 2009

GENGIBROSO

Fui no Pinheirinho sexta com o bixo daki de rep... Sucessor do Vareta aki na casa, não podia deixar de conhecer o lugar antológico... Mas o clima não era mais o mesmo... Ninguém conhecido, mesas de bilhar vazias, o rock'n'roll que rolava por lá não existia mais... Tocava um Barão Vermelho bem baixinho no fundo... O garçom (moleque novo, nunca tinha visto por lá) disse que a vizinhança anda reclamando... É assim, as coisas mudam...
O bar sempre foi mais prá "buteco" do que pra esses barzinhos brega-chique-alternativos de hj em dia... Mas era lá que o pessoal sempre se reunia depois das aulas... Sentávamos prá tomar o famoso caldinho, petiscar qquer porcaria, tomar aquela cervejinha gelada... Era o point do happy hour... Só risada... Prá descontrair mesmo... Detalhe, tudo baratíssimo...
Mas dessa vez foi estranho... Sentei na mesa, alguns amigos do bixo tinham chegado... Papos diferentes, alguns bestas, nenhuma risada.... Todos virgens... Primeira vez no Pinheirinho... Pedi um gengibroso, lembrando do Astriba e do Vareta... Acho q até o Moacir estranhou... Devia fazer tempo que ninguém sentava prum gengibroso... Preparou no capricho, com um sorriso de canto de boca...
Mas o esquema não tava legal... Não entrosei com a molecada... Cansei e fui pra casa... Pedi outro gengibroso em copo de plástico e saí pela rua... O bixo tomou um gole, já na metade do caminho pra casa, e me faz voltar até o bar pro Moacir preparar um gengibroso pra ele tbém... Viciado, acho que o bixo não vai mais ir em outro boteco aki na ilha... Acho q o cara tá aprendendo os macetes! rs
O gengibre faz bem pra garganta e é indicado pra aliviar a dor de cabeça, de coluna... Como é indicado pra curar a ressaca, pois evita enjôo, náusea, vômito, diarréia, etc, fica ótimo misturado na popular caipirinha... Bebida santa esse gengibroso! Totalmente medicinal! rs

segunda-feira, março 23, 2009

FOTOS PASSEIO BIKE

Vista Porto




Vista Paredão




Vertedouro




Usina Vista Lateral

quarta-feira, março 18, 2009

TRILHA DE BIKE

Dominguera foi massa... Andei de bike numa região que não ia à tempos... Acho q não andava naquelas bandas desde o meus primeiros semestres de faculdade... Estava com saudade!

Primeira parada: Porto
Segunda parada: Paredão (até aí, caminho que sempre faço nas minhas andanças)
Terceira parada: Prainha (não as 2 praias conhecidas de ilha, a prainha da CESP mesmo, à jusante da barragem)
Quarta parada: vertedouro da barragem da Usina Hidreletrica de Ilha Solteira

Paisagem muito bonita... Trilha fácil, pedalada tranquila, uns 10km só pra abrir o apetite pro churras q estava por vir... Mas foi legal, muito legal!
Fotos dos locais visitados em breve!

segunda-feira, março 09, 2009

MAGRELA

Minha magrela me deixou na mão... Ou melhor, na bota! Chegando na prainha do lago do Rio Paraná, à uns 4 km de Ilha Solteira, o pneu traseiro da bike simplesmente estoura (não furou somente, estourou mesmo!)... Procuro alguns minutos por carona na beira da rodovia... Nada! Era umas 3 horas da tarde, tava 36ºC, sensação de 37ºC, índice UV 12 (extremo!), vento à 5km/h de oeste a noroeste, umidade de 38%... Nem a sombra de uma sibipiruna ajudou... Tomei outro repositor energético... Não teve jeito! Vim na bota mesmo, sem camisa, o protetor solar escorrendo pelo corpo, a magrela do meu lado, cabisbaixa... Voltei sem o almejado banho de rio! Devia ter ido pra praia, mas a volta depois ia ser pior... Eu estava sem agua e tinha perdido o tesão do pedal... É, fica pro final de semana que vem... Neste, minha magrela me abandonou!

Detalhe: 31 reais no conserto... Pneu d MTB novo e câmara... Um roubo, mas... Fudeu o Goiás!

sábado, março 07, 2009

A VOLTA

O retorno ao último quadrimestre em Ilha Solteira começou do jeito que deveria ser: INFERNAL!!!
Em todos os sentidos, INFERNAL!!!

terça-feira, março 03, 2009

26


Aniversário... Dia para refletir, pensar positivamente nos dias que virão... Ouvir, ler, enfim, receber mensagens bonitas, carinhosas e sinceras...
Para mim, é um dia como os outros 365 dias do ano... Nada de especial... Mas também não é ruim, como muitos acham... Só quem ganha meia, cueca ou gravata do tio-avô desde que se considera "gente" que pode achar ruim...
Eu costumo olhar para trás todo dia de aniversário... Pensar em tudo que fiz na vida... As alegrias, momentos de extase, triunfos, assim como os momentos dificeis, as escolhas que não deram certo e as decepções... Penso nos amigos que fiz, na família que tenho, nos alicerces que me sustentam... Penso em tudo que aprendi e ensinei à todas estas pessoas...
A conclusão que tiro? Sou um cara de sorte! Tenho uma família maravilhosa, alguns bons amigos, tenho saúde, sou bonito, inteligente (hehehe!!!)... Não tenho do que reclamar!
Afinal, foram 26 anos muito bem vividos! Não voltaria atrás para mudar nada... Nem para melhor...
Parabéns para mim, e que venham mais vários 26 anos iguais a estes!

sábado, fevereiro 14, 2009

OS MAC-INTYER – CRÔNICAS DO COTIDIANO

Por Dermeval Simões
Publicada no Jornal “O Imparcial” de Araraquara em 30.06.85.


Coisas da vida, difíceis de serem explicadas. Eu, nacionalista por convicção, como só em ser todos os brasileiros, com mais de 200 anos, tendo netos com êsse patronímico!
Valeu, como dizem os moços! O fato é que inserto está, como sobrenome de dois netos meus êsse Mac-Intyer: Roberto Mac-Intyer Simões e agora, novinho em folha, o Thales Mac-Intyer Simões.
A resposta para êsse aparente estranho nome é, em verdade, muito interessante.
Eu sou Simões, pelo lado paterno. Meu avô materno era Pereira de Mendonça. Minha mulher é Vargas da Silva, pelo lado paterno. Aliás, não seria Vargas da Silva não fosse a facilidade encontrada antigamente, há mais de cinqüenta anos, para se alterar o nome da gente.
Meu sogro, muito conhecido nesta cidade, chamava-se Benedito Vargas da Silva, o “velho” Vargas, carinhosamente assim chamado.
Chamava-se não, chamou-se, por vontade própria, alterando o seu nome, por desgostá-lo e de lambuja aproveitou e alterou o próprio nome familiar. Descendente de brasileiros da Aparecida do Norte, onde nasceu em 1881, filho do não menos famoso e ate hoje lembrado Antonio Mariano De Oliveira e Silva, o Seu Vargas foi registrado como Benedito Adrião de Oliveira e Silva. Ao atingir a puberdade não agüentou mais as brincadeiras dos colegas que o tratavam por Agrião, verdura por demais conhecida por aquelas bandas, e um dia resolveu colocar um paradeiro às chacotas dos moleques e simplesmente trocou o nome e passou a chamar-se Benedito Vargas da Silva.
Mas, voltando aos Mac-Intyer, o meu filho Paulo Roberto foi descobrir êsse apelido, no registro de sua avó, aliás minha sogra, muito querida Carolina Mac-Intyer, mineira de bôa cepa, natural de Campanha, Minas Gerais.
Vejam como surgiu êsse americano na família da Dona Ana, mais conhecida como Beata, avó materna de minha esposa.
Willian Duncan Mac-Intyer, êsse o nome completo do americano, descendente de irlandezes, que aí pelo ano de 1870 aportou no Rio de Janeiro, para nunca mais voltar à sua terra.
Contava Da. Carolina que seu pai era um homem muito alegre, gostava de aprontar brincadeiras, caçador emérito, era palhaço de circo nas horas de lazer e a sua profissão era a de seleiro, sabendo inclusive embalsamar os animais caçados, como onças e macacos.
Com esse espírito e com apenas quatorze-quinze anos, brincava um dia com sua mãe, numa pequena cidade, que dizem chamar-se Carolina, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, quando, não se sabe como, um bode grande deu uma violenta cabeçada nos fundilhos da velha, jogando-a dentro de uma tina de levar roupa, cheia de água e sabão. O moleque Willian, grande gozador, no lugar de socorrer sua assustada mãe, caiu na maior gargalhada de sua vida. E riu tanto, tanto, que exasperou a mãe, a qual tomada de ira, ameaçando-o com uma surra. Este quando percebeu a braveza da mãe, não teve duvidas, “perna pra que te quero”. Correu sem parar alguns minutos, até ter a certeza de haver escapado impune. Aí êle resolveu não mais voltar prá casa e continuou andando sem destino até chegar num porto marítimo, onde conseguiu embarcar num navio, como trabalhador. Desembarcou no Rio de Janeiro e, embevecido pela beleza da terra não retornou ao barco. Passado algum tempo, já dominando o idioma português, engaja-se num circo e quando chega à cidade de Campanha, no sul de Minas, desligou-se da lona e ali permaneceu para o resto de sua vida. Casou-se com a Beata, teve seis ou sete filhas e um só filho, falecido prematuramente.
Vejam vocês, como se operam as transformações nominais. De Oliveira e Silva para Vargas e onde havia somente Simões, agora surgiram os Mac-Intyer.
Que Deus os proteja e eles possam como o tataravô, serem dois grandes palhaços, a espargirem alegria, muita alegria e risos descontraídos e sinceros, neste mundo tão triste de hoje.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

PARATY = CACHAÇA

“Parati = 1. Cachaça feita em Parati (RJ) 2. cachaça” (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Dicionário)

Por volta de 1540 os portugueses instalaram no Brasil os primeiros engenhos para produção de açúcar e rapadura. Para se fazer rapadura, fervia-se o caldo da cana, separando a espuma que se formava - o cagaço - para dar aos animais. Encarregados da produção da raspadura e de levar o cagaço para os cochos dos animais, os escravos perceberam que após um ou dois dias parado, o cagaço fermentava, transformando-se em álcool. Não demorou muito para os senhores de engenho descobrirem esse álcool. Acostumados a produzir a bagaceira, uma aguardente feito da uva, os senhores de engenho resolveram destilar o cagaço para separar as impurezas. Surgia assim a cachaça.


No século XVIII, Paraty chegou a ter mais de duzentos engenhos e casas de moenda. Destes, menos de dez engenhos resistiram ao tempo. Alguns deles são de propriedade de famílias que fabricam pinga há mais de 200 anos. Os segredos de fabricação continuam guardados a sete chaves, mas o modo de fazer pode ser visto por qualquer um que visitar os alambiques, que ainda hoje funcionam com roda d'agua, barril de carvalho, pipas, dornas artesanais e tachos de cobre com fogão à lenha. O resultado desta combinação que reúne a terra boa para cana e o conhecimento de séculos de tradição só pode ser degustado com uma boa Paraty feita em Paraty, terra-mãe das boas pingas artesanais do Brasil.


A aguardente de cana foi o segundo produto de exportação do Brasil (o primeiro foi o açúcar, a base da economia colonial), e de acordo com alguns historiadores nasceu na capitania de São Vicente, no hoje estado de São Paulo. No século XVII, Paraty tinha nada menos que 160 alambiques em atividade. “A cachaça sempre foi a principal moeda de troca no comércio de escravos africanos, mas foi a partir da proibição do tráfico que o negócio realmente começou a dar um lucro gordo para os engenhos de Paraty”, relata o historiador paratiense Diuner Mello. “É claro que os comerciantes de escravos continuaram trabalhando do mesmíssimo jeito, só que os navios negreiros não podiam mais desembarcar a ‘mercadoria’ nos portos oficiais, como Rio de Janeiro e Santos, por exemplo. O jeito foi arrumar portos mais discretos, digamos assim, e foi aí que Paraty assumiu o papel de centro distribuidor de escravos para todo o país”, conta ele.


Com a demanda por negros explodindo na região, aumentou também a necessidade de produzir a tal moeda pra pagar os fornecedores. Em 1873, um relatório oficial da administração imperial relata que os engenhos do município produziram cerca de três milhões de litros de pinga. O destino do produto não está descrito nos documentos, mas não resta nenhuma dúvida de que a maior parte dele foi parar na África, como pagamento pelos escravos embarcados para o Brasil.

Bem antes disso, a região já era um dos principais pontos de partida das expedições que subiam a serra em busca de novas terras e, sobretudo, do ouro e das pedras preciosas das Minas Gerais. E por melhor que fosse o pagamento prometido aos aventureiros que se dispunham a enfrentar a mata, era de todo impossível começar a empreitada sem ter garantido um bom suprimento de cachaça. Sem ela, não havia quem pudesse resistir às enormes dificuldades da viagem, que incluíam o relevo absolutamente desfavorável, a floresta virgem, toda sorte de insetos e animais, o clima, os índios e ainda a fome, as doenças e a solidão.


Com tamanho mercado consumidor, aqui no Brasil e no outro lado do oceano, parecia que a prosperidade dos engenhos de pinga de Paraty jamais teria fim. Mas teve. Correndo o relógio da História, Diuner Mello lembra que, em 1870, o imperador mandou construir a estrada de ferro ligando a cidade do Rio de Janeiro a São Paulo. “A partir daí, todo o café produzido ao longo do Rio Paraíba passa a ser transportado pelo trem. Com isso o porto de Paraty vai perdendo importância e a região toda entra em decadência, incluindo a outrora próspera indústria da cachaça”, completa o historiador.

Dos mais de 100 alambiques de aguardente que funcionaram no município a partir de meados de 1700, a cidade conta hoje apenas com 6, todas de qualidade inigualável e consideradas por peritos em aguardente - como os membros da Academia Brasileira da Cachaça e da Confraria do Corpo Furado, ambas do Rio de Janeiro - como as melhores dentre as milhares de pingas alambicadas de hoje em dia.


Considerada inicialmente como a bebida das senzalas e das festas dos negros, a pinga expandiu-se de tal forma que em 1649, o imperador D. João IV, emitiu uma Carta Real tentando proibir sua produção pois estava fazendo concorrência com os vinhos portugueses.

O solo de Paraty é considerado ideal para a plantação de cana-de-açúcar e a geografia acidentada com numerosos rios facilitava a construção de rodas d’água, indispensável para a moagem em grande escala da cana-de-açúcar. Esses motivos transformaram Paraty no maior centro produtor da bebida durante o período colonial e imperial. Segundo os cálculos de Pizarro, no início dos do século XIX a vila produzia 845.000 litros de pinga por ano.


Para se fazer uma pinga artesanal de qualidade, os alambiques seguem algumas regras:

1- a cana é plantada sem agrotóxicos e, na hora do corte não se queima a plantação (costuma-se queimar as plantações de cana para facilitar o corte);

2- o fermento utilizado deve ser natural, a base de fubá e farelo de arroz. Esse fermento demora de dois a quatro dias para fermentar o caldo da cana, enquanto o fermento químico demora no máximo cinco horas. O tipo do fermento influencia no sabor e no aroma da bebida;

3- o caldo de cana fermentado deve ser destilado em alambique de cobre pois esse mineral acelera algumas reações que ocorrem no processo da destilação;

4- antes de ser engarrafada, a pinga deve ser armazenada por no mínimo três meses em barris de madeira para que ocorram reações de oxidação que suavizarão o gosto. O tipo da madeira utilizada para fabricação dos barris influenciará no aroma, cor e sabor da bebida. Importante ressaltar que as bebidas destiladas só envelhecem em barris de madeira e não em garrafas de vidro;

5- ao engarrafar, além da rolha, deve ser colocado um lacre para vedar a boca da garrafa, impedindo assim que o álcool evapore.